MARKETING AGRESSIVO ou MARKETING DE COACH



Antigamente, ou melhor, até bem pouco tempo, quando me perguntavam em entrevistas o que eu recomendava a um/a escritor/a iniciante, eu respondia com a clássica "leia, leia muito". Agora, uma década após minha primeira publicação e depois de muita vivência, eu opto por uma resposta talvez mais útil, já que ler (o trabalho alheio!) é praticamente um requisito (ou era) para escrever. Agora eu digo:

Caro (a) escritor (a); 

já que em uma boa hipótese você vai chegar onde todos chegamos – e não se trata de nenhum Olimpo (este reservado a meia dúzia de deuses bem relacionados – com um(a) ou outro(a) intruso(a) fenomenal, coisa de 1 em 214 milhões), NÃO VENDA SUA DIGNIDADE. Não se torne um pedinte profissional, um mendigo literário, um sem-noção em mensagens para desconhecidos, um caça-júri, um implorador de resenhas, um ajoelhado diante de qualquer figura literária que lhe parece grande e que poderia (sonhe!) lhe favorecer. Não caia na conversa de coaches que por já terem perdido toda a vergonha ensinam a perdê-la também. Literatura não é esquema de pirâmide. E fazer ou não sucesso (seja lá o que se entenda por isso) não tem a ver, necessariamente, com a qualidade do que você escreve. Um pouco de pudor é bom. Um pouco de tudo é bom. É equilíbrio. Depois de 10 anos, você verá que se não ficou famoso, se não vendeu tantos livros quantos os coaches prometem, ao menos o seu bem mais precioso continuou intacto.

*** 

Vejam só, escrevi o texto acima em 02/01/2024 e hoje, 11/02/2025, o tema ainda me aflige: 

Antigamente, quando perguntavam para mim que conselho daria para um escritor iniciante, eu respondia: leia, leia muito, e não tenha pressa de publicar. Hoje digo: fujam de oficinas de escrita que ensinam a fazer sucesso. Oficinas de escrita devem ajudar a escrever melhor, ler melhor.

Não creiam que marketing agressivo possa transformar uma escrita em uma escrita de sucesso. Marketing agressivo pode transformar potenciais escritores em escritores muito chatos, mendicantes até.

Nem se preocupem com sucesso, preocupem-se em escrever e ler. As coisas acontecem devagar. Forçar, muitas vezes, ocorre à custa da dignidade e o resultado, ainda que pareça muito nas redes sociais, é artificial; ocorreu às custas desse chapéu estendido na calçada. 

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