ESCREVER PARA FORA

Ontem estivemos, eu e Tadeu, no Letra em Cena, o tema era Literatura e Psicanálise, com Jacques Fux, Maria Homem, Odilon Esteves e José Eduardo Gonçalves (curador e mediador). O evento ótimo, tão interessante e inteligente, em uma terça-feira à noite, o teatro cheio, coisa rara em eventos literários na cidade em dia útil, o que me fez concluir que é porque contava com uma plateia de psicanalistas e não de escritores. Entre as tantas coisas que foram faladas e que ficam ainda reverberando (quando é bom é assim) chamou-me atenção especialmente uma fala do José Eduardo sobre o escritor e a frustração, o fracasso. Porque ser escritor (a) é saber que vai dar de cara com o fracasso muito mais vezes (e bota muito mais nisso!) do que com o sucesso. Que terá que reelaborar o conceito de sucesso reiteradamente para dar conta do fracasso e ainda assim continuar sendo escritor(a). Fracassos que vão de uma ponta a outra, desde o livro que se quis e que foi feito até a leitura desse livro pelos outros. O fracasso (falta) que leva à palavra e o fracasso (falta) com o qual temos que lidar porque “escrever para fora” pode gerar todo tipo de frustração das expectativas. 


13/09/2023

 

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