ENSINAR O QUE NÃO SE SABE

Algumas coisas rumam para o nível do impressionante. Uma delas: a quantidade de "cursos para vender literatura", ministrados por coaches que vão aparecendo em oferta nas redes sociais. Promessas de venda de milhares de livros, quiçá milhões. A esperança é uma vendedora fantástica. A ingenuidade é sua ajudante.

Outro dia me deparei com um inacreditável (pela sinceridade da coisa): o coach mostrava uma pirâmide (sim, parece um esquema de pirâmide) em que você deveria transformar seus desconhecidos em conhecidos (faça piruetas virtuais), seus então conhecidos em admiradores (da sua persona, não do seu livro), depois em leitores (oh!) e finalmente em fãs que, entusiasticamente, irão divulgar sua obra. Havia até uma conta, se cada um desses divulgar seu livro para mais um, e esse mais um para mais um, o céu será o seu limite. Como veem, é fácil e infalível, basta fazer os tais cursos e trabalhar enquanto os outros dormem. Pura meritocracia.

Escrever, um ato solitário que vai se tornando menos importante do que aparecer. Tornar antes o escritor um "influencer". Caso não dê certo e você não saia da casa dos cem livros, pode se tornar coach e ensinar os outros a fazê-lo. Claro, é legítimo, todo mundo tem que ganhar a vida de alguma maneira.



28/08/2023

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